Com o tema “Infância protegida, territórios fortalecidos”, Abaetetuba abriu oficialmente, na manhã desta terça-feira (4), a III Semana do Bebê Quilombola e a VII Feira Integrada das Escolas Quilombolas (FIEQ), na comunidade Perpétuo Socorro, no ramal Piratuba. O evento reuniu aproximadamente 156 crianças das escolas Perpétuo Socorro e São Benedito do ramal Bacuri, celebrando a infância, o cuidado integral e a valorização das raízes quilombolas.
A iniciativa faz parte do calendário municipal de compromissos com o Selo UNICEF, que reconhece os avanços de Abaetetuba nas políticas públicas voltadas à infância e à adolescência. A programação integra as secretarias municipais de Educação, Assistência Social, Saúde e Agricultura e Abastecimento em uma grande ação intersetorial com oferta de vacinação, consultas médicas, oficinas educativas, atividades recreativas, serviços do CadÚnico e ações de saúde bucal, além de exposições e apresentações culturais que exaltam a ancestralidade e o pertencimento quilombola.
“A criança precisa ser amada e cuidada de forma integral: ter direito à saúde, à educação de qualidade e à proteção social dentro do seu território”, destacou Rosani Fonseca, articuladora municipal do Selo UNICEF. “Esse movimento garante que, no futuro, essas crianças se tornem adultos conscientes, capazes de continuar o legado de amor e cuidado com as próximas gerações”.
A Semana do Bebê Quilombola segue até sexta-feira (7) e percorrerá outros cinco territórios tradicionais, levando atividades a dezenas de escolas quilombolas das comunidades Itacuruçá, Assacu, Acaraqui, Caeté e Baixo Itacuruçá. Entre as oficinas e exposições, temas como “Brincar, preservar e aprender: infâncias quilombolas e o meio ambiente”, “Saberes tradicionais e inovação para sustentabilidade” e “Água e cultura quilombola” conectam a ancestralidade aos desafios ambientais da Amazônia e à preparação para a COP 30.
Durante a semana, será apresentado o(a) bebê-prefeito(a) quilombola, símbolo do compromisso do município com o cuidado e a valorização da primeira infância nos territórios tradicionais.
“É emocionante ver o quanto nossas crianças são valorizadas. Desde cedo, elas aprendem a respeitar a própria história e a defender suas raízes”, afirmou Wilma Cardoso Ferreira, professora da Escola Perpétuo Socorro e militante do Movimento Social Arquitetuba. “A Semana do Bebê Quilombola é um momento de orgulho, em que cultura, educação e afeto se encontram.”
Mais de dez escolas participam das ações, envolvendo educadores, famílias e lideranças comunitárias. As atividades incluem rodas de conversa, pintura corporal afro, oficinas de tranças e turbantes, resgate de brincadeiras ancestrais, contação de histórias e exposições sobre justiça climática — tudo pensado para unir gerações e fortalecer a identidade quilombola.
A realização da Semana do Bebê Quilombola é garantida pela Lei Municipal nº 689/2023, que tornou o evento parte do calendário oficial de Abaetetuba. A legislação reforça o compromisso do município com a primeira infância quilombola, ao instituir estratégias de mobilização e políticas públicas voltadas para crianças de 0 a 6 anos, com foco em saúde, educação e proteção social.
Texto: Ramon Pinheiro/ Revisão: Naldo Araújo.

